Espiritualidade em Movimento (SOR): Abertura da Campanha da Fraternidade 2018

Antonio Chaves de Santana

Com o objetivo de encontrar, junto à sociedade brasileira, caminhos de superação da violência, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre a Campanha da Fraternidade de 2018 com o tema: Fraternidade e Superação da Violência e o tema: “Vós sois todos irmãos em Cristo”.

A Campanha da Fraternidade, importante instrumento de evangelização da Igreja Católica, convida-nos a viver o cristianismo sem oscilação. A evangelização é uma ação política e, como tal, exige de nós, cristãos, uma radicalidade ética capaz de nos levar a ver, julgar e agir na vida cotidiana pela verdade e pelo compromisso com a vida de todos, principalmente dos que vivem em situação de pobreza.

O fato da CNBB trazer o tema da violência para agenda das Igrejas e da sociedade é pertinente. Sabemos muito bem que a violência na história do Brasil não é um fato pontual, mas advém desde os primórdios do Brasil colonial, quando foi imposto um arranjo social no qual certas categorias de pessoas recebiam um tratamento melhor do que as outras.

A ideia de que o colonizador branco era superior aos índios e negros foi adquirindo formas diferentes, à medida que mudanças importantes aconteceram nas estruturas social e política nacionais. Esse movimento de produção e reprodução de desigualdades, gerador de tantas formas de violência, persiste até os dias atuais.

Os desafios para a construção de sinais do Reino de Deus na história são enormes: a globalização neoliberal tem condenado a geografias da pobreza. Percebe-se que a corrupção não é uma ação apenas da ordem ética e moral de conduta, é um modo de agir no mundo globalizado.

O que acontece no Brasil não foge a essa lógica internacional, de uma “economia que mata”, como denuncia, profeticamente, o Papa Francisco. É o chamado “sistema de dívida”, que aprisiona economias inteiras dos países para servir, com sacrifício de seus povos, ao lucro do capital.

A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar, e a dignidade das pessoas e o bem público, em segundo. A corrupção trai a justiça e a ética social, compromete o funcionamento do Estado, leva ao descrédito das instituições públicas e a não participação do povo na política.

A indiferença frente ao sofrimento do povo contribui para a sensação disseminada de que a política é uma atividade de corruptos, já que boa parte dos políticos parece mais preocupada com seus objetivos egoístas do que com seu papel de representar os interesses da população. O que acontece é que temos uma sociedade à deriva.

Nas tentativas de se compreender o fenômeno da violência, não parece razoável omitir o papel desempenhado pelo modo como se dão, hoje, as relações econômicas. Ao gerar exclusão e perpetuar desigualdades sociais, a economia produz violência e morte. A competitividade, tal como praticada hoje, converte-se facilmente em uma forma mal disfarçada de egoísmo e de indiferença.

É contra esta cultura da indiferença e do descartável, responsável maior pelo volume da violência em nossas cidades que a CF propõe o grito profético da tradição cristã: “Somos todos irmãos em Cristo”, basta de violência. E a CF, através da Cultura Pastoral, oferece uma alternativa para superar a violência. Com outras palavras, a CF vem dizer que o mundo tem jeito, que o Brasil tem jeito, se semearmos em nossas comunidades, famílias e escolas uma cultura de paz.

 

Referência bibliográfica:

 

Superação da Violência. Revista Diálogo, Religião e Cultura. Ano XXIII – n. 89/janeiro/março 2018.

Texto-base, Campanha da Fraternidade. Tema: Fraternidade e Superação da Violência e Lema: Vós Sois Todos Irmãos em Cristo”.

Campanha da Fraternidade. Família Cristã. Ano 84, Nº 985. Janeiro 2018.

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