Espiritualidade em Movimento (SOR) – ADVENTO NUMA PERSPECTIVA: BIBLICO-LITURGICA-ESPIRITUAL

 

Os anos passam e passam os anos, e a estrela de Belém ressurge com sua cauda luminosa, brilhando no horizonte sombrio de nossos tempos. A nossa gente se alegra, um tempo, “favorável à salvação”, anuncia uma nova chegada para a humanidade, já prometida, muito antes pelos profetas, e revivida por nós, no “advento” da grande espera do Salvador. São quatro semanas de mística, de expectativa e de vigilância.

Advento é um tempo que nos faz reviver profundamente a história da salvação anunciada desde os mais distantes anos de nossa tradição judaico-cristã. É tempo de graça que reaviva em nós a esperança de um futuro melhor e reanima a nossa coragem: os nossos esforços por uma vida digna e por uma sociedade solidária, almejada por todos. A fé cristã fala do divino que se fez companheiro e irmão da humanidade, que armou a tenda entre nós, entrou no jogo da história e toma o partido dos últimos.

Os cristãos primitivos rezavam: “Maranata”, vem Senhor Jesus, e, nós, cristãos hoje, repetimos esse “Maranata”, pois uma agitação incomum começa a tomar conta desta grande aldeia global em que vivemos, sinalizando, por um lado, um dos períodos de consumo descontrolado e de maior venda para o comércio. As decorações natalinas, em vista disso, invadem as casas e as vitrines do mundo. Por outro lado, o advento cristão é orientado pelos horizontes e promessas de Cristo. Trata-se de um projeto de advento que enfatiza a interiorização daquilo que Cristo deseja para a felicidade e realização do ser humano.

Também, neste tempo santo em que fazemos memória do divino entre nós, voltamos a olhar com confiança para o futuro, motivados pela esperança cristã, grávida dos novos tempos que se avizinham para a humanidade. Nesta época, a sociedade se torna mais sensível aos apelos da paz e da fraternidade universal. A bandeira da paz é símbolo eloquente para que se eliminem da face da terra as gritantes diferenças entre os humanos. A eminente chegada do Príncipe da paz é confirmada pela notícia do anjo aos pastores: “Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.

A liturgia da Igreja oferece uma vasta gama de recursos para nos ajudar nessa preparação, entre eles, o precioso canto gregoriano do “Rorate Coeli”. É considerado uma das mais sublimes composições não só do advento, mas também de todo o repertório litúrgico da história do Cristianismo. Seu refrão vem do livro do profeta Isaias (445,8), em que se suplica: “ Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho; que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, ela faça germinar a justiça. O “RORATE COELI” representa o espírito de súplica e expectativa do advento”.

Isaias é o profeta messiânico que anuncia no seu canto a chegada do salvador. Ele como nenhum outro profeta canta a beleza deste tempo de vigilância e espera:

 “Não vos ireis, Senhor”, nem vos lembreis da iniquidade. Eis que a cidade do Santuário ficou deserta: Sião tornou-se deserta; Jerusalém está devastada. A casa da vossa santificação e da vossa glória, onde os nossos pais vos louvam”.

“Pecamos e nos tornamos como os imundos, e caímos, todos, como folhas. E as nossas iniquidades, como um vento, nos dispersara! Escondestes de nós o vosso rosto e nos esmagastes pelas mãos de nossas iniquidades”. 

Olhai, ó Senhor, para a aflição do vosso povo e enviai aquele que estais para enviar! Enviai o cordeiro dominador da Terra. Da pedra do deserto ao monte da filha de Sião para que Ele retire o jugo do nosso cativeiro”.

“Consola-te, consola-te, povo meu, em breve há de vir a tua salvação. Por que te consomes na tristeza, se a dor te renovou? Eu te salvarei, não tenhas medo! Por que eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Redentor”.

Creio que não devemos nos entristecer diante das iniquidades dos homens. A espiritualidade do advento é rica de esperança, anuncia o Advento daquele que virá, veio e vem no hoje de nossa história e em meio ao deserto de nossas cidades e do nosso mundo. De mãos erguidas para o alto supliquemos: “Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho; que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, ela faça germinar a justiça”.

Imbuídos da MÍSTICA DO ADVENTO, sejamos uma comunidade escolar em “advento” que aguarda uma grande chegada, mesmo que a nossa Sião esteja deserta e imunda por causa das iniquidades. Caímos como folhas e como vento nos dispersamos por causa de nossas iniquidades.

O Senhor vem nos consolar e nos renovar por esta salvação que está prestes a vir. Ele é cordeiro dominador, o príncipe da paz, o conselheiro, o Deus admirável, o Emmanuel, Deus conosco. Vem Senhor e não tardes. Estamos a tua espera vigilantes em meio à noite densa desses tempos.

 

 

 Antônio Chaves de Santana

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *